Encontro de Educadores Carmelitas

Sábado, 25 de junho – Google Meet

A Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência promoveu no dia 25 de junho de 2022 o Encontro Anual de Educadores Carmelitas. O evento contou com participação de diretores, coordenadores, professores e funcionários de suas quatro unidades escolares: Cataguases, Juiz de Fora, Viçosa e Teresópolis. O objetivo principal foi o aprofundamento da espiritualidade carmelita.


Momento I

Palestrante: Ir. Marlene Frinhani

Tema: “Interpelações do Amor”.

Na parte da manhã tivemos a participação da Ir. Marlene Frinhani, que nos conduziu numa profunda reflexão sobre as “Interpelações do Amor”. Ela iniciou sua fala fazendo memória de personalidades históricas que, com suas atitudes, foram capazes de deixar um rastro de amor e um modelo a ser seguido pelas gerações que as sucederam. Irmã Marlene apontou a coragem de Nelson Mandela, a firmeza e a coerência de Dom Hélder Câmara, o senso de justiça de Mahatma Gandhi e a caridade de Santa Dulce dos Pobres.

Deste modo, a madre nos apresentou a carmelita Santa Teresinha do Menino Jesus. Uma jovem francesa de família burguesa, que abriu mão das regalias de sua classe social, para viver a austeridade do Carmelo. Teresinha deste modo mergulha na espiritualidade do Carmelo a qual ela denominava de “teologia do Pequeno Caminho’’, significando que a prática do amor a Deus não se baseia em grandes ações, mas em pequenos atos do dia a dia.

Irmã Marlene nos levou a refletir como a busca do ordinário, ou seja, simplicidade do dia a dia, vivido por Santa Teresinha, pode nos ajudar a alcançar uma espiritualidade mais profunda. A madre apontou também a coragem de Teresinha em não abrir mão de seus princípios.

De que modo podemos dialogar com os jovens de nosso tempo? Como lhes transmitir os valores do Evangelho diante de tantas influências que lhes chegam pelas redes sociais? Estes e outros questionamentos foram levantados ao término na manhã de espiritualidade. Numa partilha construtiva, a comunidade educativa pôde concluir que para enfrentar os desafios destes novos tempos, faz-se necessário a paciência, tão presente da vida de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Tal paciência não pode ser passiva, mas acompanhada de atitudes que nos levem a dialogar com esta juventude, que diante de tanta informação e pontos de vista, encontra-se confusa e desnorteada.

Concluímos que, é preciso abrir espaço para o diálogo, para a verdadeira espiritualidade carmelita, que segundo Teresinha, nasce das pequenas atitudes.

Por Claudenilson José da Silva (professor de História – Carmo Teresópolis/RJ)


Momento II

Palestrante: Humberto Silvano Herrera Contreras

Tema: O pacto educativo global

Primeiramente esse pacto é perceptivo a partir da Igreja Católica, na pessoa do Papa Francisco. A campanha da Fraternidade é para além do período da quaresma, deve ser vivenciada o ano todo.  A educação religiosa se aplica a todos, independente da religião. Cada colégio deve zelar pela identidade Católica de toda a estrutura e não só de algumas partes. Identidade Católica é aquilo que há de comum em nossa pedagogia escolar e da qual não devemos abrir mão. O Projeto Político Pedagógico do Colégio deve deixar claro esses pontos a cerca da identidade Católica.

Ensinar significa marcar o outro com sinais. A marca que desejamos deixar no outro é a marca do ensinamento. Toda escola Católica precisa se avaliar e projetar um humanismo solidário. A fraternidade é uma experiência de encontro com o outro. A escola é um lugar privilegiado de encontro consigo e com os outros. Um dos pontos fundamentais é que a escola Católica deve zelar por um currículo evangelizador. Uma das disciplinas que pode muito ajudar é o Projeto de Vida, inserido recentemente no currículo escolar. Um Projeto de Vida que seja pessoal e comunitário.

Você educador deve se perguntar: deixo marca na vida dos alunos? Cada Colégio vai se adequando pouco a pouco às orientações da CNBB. O Papa Francisco fala que é urgente uma pedagogia cristã nas escolas Católicas.

Esse caminho não é inventado por nós, mas baseado na pedagogia do próprio Jesus Cristo. Uma passagem bíblica que mais se aproxima dessa pedagogia é a passagem dos discípulos de Emaús. Uma pedagogia que acontece a partir da escuta e do acompanhamento. Caminhar com o outro, seguir ao seu lado e não julgar o outro. O acolhimento foi a atitude pedagógica de Jesus. Nesta passagem vimos cinco passos concretos: testemunho; discernimento; acompanhamento; diálogo e encontro.

O Papa Francisco nos indica o caminho quando diz que a pessoa, o ser humano, deve estar no centro das nossas atenções e atitudes. Uma metáfora à fala do Papa Francisco: é necessário uma escola em saída! Sair do nosso “mundinho” ou da nossa zona de conforto e ir às periferias. Permitir que as nossas escolas se tornem ambientes missionários. As nossas instituições não podem ser fechadas e alheias ao mundo, pois a escola tem a missão de formar e preparar os alunos para viverem no mundo.

O professor, ele é um comunicador e ponte de relações. O educando deve perceber que foi conduzido a encontros, que não ficou isolado ou perdido, mas que sua vida foi tocada pela vida de outros. Escutar o outro é a capacidade de sintonizar a nossa vida com a vida do outro. A questão é: como acolhemos o que escutamos? A forma como faço meu planejamento consta uma capacidade de escuta? O diálogo nasce da aproximação. A partir do documento Laudato Sí, o Papa nos questiona: O que está acontecendo com nossa casa? Não é hora de fazer uma revisão do nosso ensino?

O Projeto de Vida não pode se reduzir a um projeto sobre o futuro, mas sim deve ser um processo contínuo. Qual é o presente dos nossos alunos? Como eles estão hoje para assumir o futuro? Entender o projeto de vida como algo que estou construindo pouco a pouco. Nesta tarefa educacional não se pode caminhar sozinho, podemos e devemos caminhar juntos. Como a didática que estabelecemos responde às necessidades do nosso tempo?

Momento de partilha: Voltou a preocupação em como lidar com o emocional dos nossos educandos. Cuidar primeiramente de si para melhor cuidarmos uns dos outros.

Segunda parte: Iniciou com um vídeo de animação, sob a perspectiva do cão, do pássaro e do pescador. Continuamos na dimensão da escuta uns dos outros.

Temos três demandas que nossas escolas precisam ficar atentas: globalização, diálogo inter-religioso e diálogo intercultural. O ser humano é um ser frágil. Nós educadores somos frágeis e precisamos de cuidado. O plano de aula vai se modificando e se moldando a partir do encontro com as pessoas. As incertezas fazem parte do caminho e dos desafios educacionais. Entender o pacto a partir das perspectivas: processo (discernimento); diagnóstico (realidade) e interligado (encontro e convergência). Dedicar tempo para esta autoavaliação individual e comunitária dos educadores. Podemos encontrar três chaves para o pacto educacional: primeira chave é o currículo; segunda chave é a didática (o professor ocupa o lugar de facilitador do encontro e do diálogo); e a terceira chave é a avaliação (tudo na vida precisa de avaliação).

Por Leandro Libanio (professor de Ciências da Religião, Empreendedorismo e Projeto de Vida – Carmo Teresópolis)

Os comentários estão encerrados.