A participação das famílias na formação do aluno empreendedor responsável e consciente

O que espera as crianças e adolescentes no futuro não será uma brisa leve de verão. Ao contrário. É bem provável que eles enfrentem uma ventania forte e em diversas direções que os deixarão com um desafio a mais na formação de seu projeto de vida: a consolidação de um desenvolvimento interno sólido, para que não se percam na jornada da vida.

Estamos diante de um momento de aceleração de futuros, processo incrementado pela Pandemia do Coronavírus, mas que já se anunciava há tempos. Já em 1965, um dos fundadores da Intel, Gordon E. Moore profetizara que a capacidade de processamento dos transístores iria se multiplicar exponencialmente, no que ficou conhecida como a Lei de Moore. Ele chegou a dizer que a cada dois anos iria dobrar esta capacidade e isso explica por que em poucos anos nossos celulares, televisores, e muitos outros aparelhos eletrônicos se tornam obsoletos. Para se ter uma ideia, comparando o primeiro microprocessador de sua empresa, o Intel 4004, com o atual, de 14 nanômetros, este último é 3.500 vezes mais rápido, 90.000 vezes mais eficiente energeticamente e custa 60.000 vezes menos. Se isso fosse aplicado à indústria de automóveis, por exemplo, nossos carros iriam andar a velocidade de mais de 400.000 quilômetros. Uma de suas falas comuns, para motivar seus colaboradores era: “fazer o impossível possível”, inspirando-os a pensar que o que quer que já tenha sido feito, pode ser superado.

Steve Jobs pensava assim, levando seus engenheiros a outro nível de criação e surpreendendo o mundo constantemente. Seus lançamentos de novos produtos viraram febre e até hoje, anos depois de sua morte a Apple continua inovando e mantendo seu status de empresa de alto nível com valorização de suas ações. Poderíamos aqui citar vários outros exemplos de empreendedores que não pararam de inovar, mas isso já não nos basta mais. Hoje em dia, é preciso mais do que isso. Temos acompanhado as notícias preocupantes sobre o desmatamento da Amazônia e o quanto a comunidade financeira internacional impõe certas regras para que os recursos cheguem ao nossos país. Em palavras simples, nações que desprezam o meio ambiente simplesmente não participam de forma ativa na obtenção de financiamentos atrativos, pois ainda que tenhamos a soberania deste território, os efeitos dos cuidados dedicados à Amazônia se revelam pelo globo todo. Nuvens de poeira do deserto do Saara viajam pelo globo e ajudam a regular o clima na Antártida por exemplo. Somos todos parte de um grande ecossistema e seria uma visão muito reducionista pensar que a ação de determinado país impacta apenas em seus cidadãos. Estamos diante de um desafio global jamais visto na história da humanidade. Ou todos nos unimos por objetivos comuns, ou todos perdemos.

Para se ter uma ideia do quanto o mercado é sensível a isso, ações na bolsa de valores de empresas “verdes”, que demonstram cuidado ambiental ou socialmente responsáveis são mais valorizadas. Cada dia mais se procura pelo autêntico, pelo orgânico, pelo que é feito com cuidado tanto em termos materiais, como humanos e ambientais.

Nas situações simples do dia a dia isso pode ser alvo de conversas com os filhos. Ao comprar determinada roupa, que tal investigar se a empresa tem uma boa reputação? Com pouca pesquisa podemos descobrir se ela emprega mão de obra infantil ou se ela vende a preços muito baixos, o que indicaria que ela explora mão-de-obra precária em países pobres, por exemplo. Veja embalagens de produtos do cotidiano e procure descobrir se eles tem um canal que indique as ações de cuidados ambientais, de reciclagem, se eles não fazem testes em animais. Não é difícil hoje descobrir se as marcas que vocês consomem em casa são realmente cuidadosas com o nosso meio ambiente e com práticas responsáveis e conscientes.

É claro, porém, que não devemos olhar apenas para fora. Tudo isso perde valor se vocês mesmos não descartam seu lixo em recipientes adequados para que sejam reciclados. Não vale dizer que no seu prédio não tem coleta seletiva pois muitas vezes o que falta é simplesmente formarmos o hábito de solicitar na subprefeitura que seja implantado ou melhorado o sistema de coleta de recicláveis. Dá trabalho, claro, mas dará mais trabalho se não for feito. Quem sabe você e seus filhos não começam um programa de educação ambiental em seu prédio ou condomínio?

No cotidiano, ações simples como reaproveitar as cascas de determinadas frutas para fazer uma geleia, por exemplo, já ajudam bastante. Nem todo mundo sabe, mas é possível fazer um suco bem gostoso com as cascas da manga e um pouco de água. A casca do abacaxi, se fervida e depois esfriada e coada dá um delicioso suco. Estes ensinamentos todos fazem parte do Módulo de Educação Financeira e Sustentável da Metodologia OPEE há tempos e os alunos adoram cultivar esta inventividade, perceber a alquimia dos processos de consumo dentro de suas próprias casas. Reaproveitar a água da máquina de lavar para regar o jardim custa nada e vale muito. Apagar as luzes quando se sai de um ambiente, trocar as lâmpadas comuns por LED! São inúmeros os exemplos. Sejamos a mudança que queremos ver no mundo, frase atribuída a Ghandi pode ser bem empregada aqui. Ao perceber que seus pais se importam com o mundo além do próprio umbigo, os filhos incorporam valores essenciais que os tornarão pessoas mais conscientes, sadias, responsáveis e interessantemente mais desejadas até no mercado de trabalho. Estamos diante de um momento delicado de nossas vidas, em que a saúde, a cooperação, a solidariedade e as pequenas ações voltadas ao bem comum se tornam ainda mais valiosas.

O melhor de tudo isso é que as crianças e os jovens adoram. Um exemplo bem claro disso veio das mais de 100 inscrições de escolas no ano passado em nosso concurso intitulado “Ações Transformadoras”. Nele, as instituições de ensino tinham que criar com suas comunidades ações que demonstrassem cuidado com o outro, com a comunidade, com o meio ambiente. Relatos emocionantes, vidas transformadas para melhor, famílias inteiras, com várias gerações envolvidas foram alguns dos muito ganhos desta ações que emocionaram toda a nossa equipe. Percebe-se facilmente nestes momentos, que quando deixamos de olhar a vida por um prisma imediatista e individualista, nos tornamos pessoas melhores, nossa autoestima se beneficia e até nossa felicidade é incrementada. A felicidade se colhe nos lábios do outro, costumamos ensinar aos nossos alunos. Eles aprendem nas aula da Metodologia OPEE, das mais diversas formas, que a maior das riquezas é tornar o mundo rico com a sua presença e que felicidade é fazer o mundo feliz com as nossas ações. Queremos contar com você para isso, cada vez mais, pois cada dia conta e cada ação faz a diferença.

Que tal começar hoje mesmo a cultivar um senso de responsabilidade e consciência social e ambiental em sua casa e a partir dela em toda sua vizinhança? Você vai se agradecer. Nós também!

E o último recado

Não se sintam obrigados a trazer um presente para o filho toda vez que sair de casa!

Texto: Leo Fraiman | Foto: Depositphotos

Fonte: https://capacitaopee.com.br/a-participacao-das-familias-na-formacao-do-aluno-empreendedor-responsavel-e-consciente/

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